Indígenas de todo o país chegam a Brasília para acampamento contra marco temporal

Indígenas de todo o país começaram a chegar em Brasília para reivindicar a derrubada da tese do marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ser julgada na quarta-feira (7). Cerca de dois mil indígenas devem ficar acampados na Praça da Cidadania, próximo ao Teatro Nacional, para acompanhar o julgamento.

A mobilização acontece durante a Semana do Meio Ambiente, cujo dia é comemorado neste 5 de junho, e após um ano do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips no Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil.


"Estamos aqui mobilizados nessa semana novamente contra todos esses retrocessos de direitos, que est√£o tramitando no Congresso. Semana passada foi uma semana triste para n√≥s", afirmou uma das coordenadoras executiva da Apib, Val Eloy¬†Terena, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (5), primeiro dia do acampamento. Al√©m de Bras√≠lia, outras mobiliza√ß√Ķes devem acontecer em outras regi√Ķes do pa√≠s.

De acordo com a Apib, a programação do acampamento foi dividida em três eixos, sendo eles: Por demarcação já; Pelo futuro do planeta e Pelo direito originário.

Membro da Coordena√ß√£o das Organiza√ß√Ķes Ind√≠genas da Amaz√īnia Brasileira (Coiab)¬†Kleber Karipuna lembrou da import√Ęncia do Senado Federal e do STF¬†barrarem¬†o que classificou como medidas anti-ind√≠genas. "Vamos continuar mobilizados, porque √© um direito nosso. A gente tem o direito de ter nossos territ√≥rios demarcados", destacou Kleber, que tamb√©m √© membro da coordena√ß√£o da Apib.

Presente na coletiva de imprensa, o Cacique Raoni lembrou que estava na Europa (onde foi recebido pelo presidente da França, Emanuel Macron), mas que voltou ao Brasil para participar do acampamento. "Voltei para conversar com os parlamentares e a presidente do Supremo [Tribunal Federal] para que o PL 490 não seja aprovado", afirmou o cacique em língua indígena, que foi traduzido simultaneamente.

O julgamento sobre a tese do marco temporal está pautado para ser discutido no Supremo Tribunal Federal (STF). A presidente da corte, ministra Rosa Weber, anunciou para 7 de junho a retomada do julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1017365, com repercussão geral, que discute se data da promulgação da Constituição Federal deve ser adotada como marco temporal para definição da ocupação tradicional da terra por indígenas.

PL 490 agora é 2903

A C√Ęmara Federal¬†aprovou no dia 30 de maio¬†o Projeto de Lei 490/07, conhecido como¬†PL do Marco Temporal. O texto prev√™ a aplica√ß√£o da tese marco temporal na demarca√ß√£o de terras ind√≠genas. O placar foi de 283 a 155. Apenas¬†PT, PSOL, PCdoB e Rede votaram contra o projeto. Nenhum dos destaques colocados pelos deputados defensores dos ind√≠genas foi aprovado. A aprova√ß√£o significa que novas terras s√≥ podem ser demarcadas se ocupadas por povos ind√≠genas na data da promulga√ß√£o da Constitui√ß√£o de 1988.


O projeto segue agora em tramita√ß√£o no Senado Federal e recebeu um novo n√ļmero: 2903.

Fonte: BdF Distrito Federal

Edição: Flávia Quirino