FETRAF/RN PARTICIPA DE SEMIN√ĀRIO SOBRE AS MUDAN√áAS NA PREVID√äNCIA COM EX-MINISTRO CARLOS GABBAS

A FETRAF/RN representada pelos Dirigentes Sindicais, Odair Bispo, Jos√© Erivaldo Dias e Jo√£o Eudes, esteve presente no Semin√°rio Formativo sobre as poss√≠veis mudan√ßas na Previd√™ncia Social, ocorrido no √ļltimo dia 01 de abril em Natal/RN.

A convite do mandato do senador Jean-Paul Prates (PT) em parceria com os parlamentares petistas Divaneide Basílio, Isolda Dantas, Francisco do PT e Natália Bonavides, o Ex-ministro da Previdência Social durante o Governo Dilma Roussef, Carlos Gabbas esteve presente no evento e debateu esse tema com representantes da sociedade civil organizada e a sociedade em geral.

Para o ex-ministro, o projeto de reforma da Previd√™ncia enviada ao Congresso Nacional pela equipe econ√īmica do governo Bolsonaro n√£o √© uma reforma, mas um ajuste fiscal com impacto negativo sobre os trabalhadores do pa√≠s.

- Essa n√£o √© uma proposta de reforma, mas um ajuste fiscal nas costas do trabalhador Porque prop√Ķe o desmonte do sistema de seguridade social e n√£o mexe uma v√≠rgula em privil√©gio nenhum",¬†disse.

Gabas vem rodando o pa√≠s para mostrar a quem interessa a reforma da Previd√™ncia apresentada pelo governo Bolsonaro. Segundo ele, o projeto √© um ajuste porque, ao contr√°rio do diz a publicidade oficial do Governo, n√£o h√° combate √† privil√©gios no texto enviado √† C√Ęmara dos Deputados:

- √Č um ajuste fiscal porque n√£o combate um privil√©gio. N√£o acaba com os altos sal√°rios, n√£o acaba com as benesses, n√£o acaba com nada da elite econ√īmica nem com a elite do funcionalismo. Temos no funcionalismo federal ainda sal√°rios de 80, 100, 200 mil reais. E existe um teto de R$ 39 mil. Porqu√™ n√£o se respeita o teto ? Ent√£o ele (o projeto) n√£o fala uma v√≠rgula dessas distor√ß√Ķes. √Č ajuste porque o Paulo Guedes quer economia de R$ 1 trilh√£o, mas mostrou que desse R$ 1 trilh√£o, mais de 900 bilh√Ķes reais vir√£o do regime geral de Previd√™ncia, que paga, em m√©dia, benef√≠cios de R$ 1.400. √Č poss√≠vel acreditar que isso combate privil√©gio ? Eu vou atacar o direito de quem recebe R$ 1.400 dizendo que recebem privil√©gio e n√£o ataco o direito de quem ganha R$ 200 mil por m√™s ? Ent√£o √© ajuste fiscal para organizar as contas que eles dizem que est√° desorganizada, fruto de uma crise econ√īmica potencializada por uma crise pol√≠tica. Vamos lembrar que a previd√™ncia tinha super√°vit at√© 2015. Porque chegou a essa situa√ß√£o ? Porque eles aprofundaram a crise econ√īmica que j√° vinha da crise internacional para justificar a retirada do pa√≠s de uma presidenta legitimamente eleita. √Č o conjunto da obra. Para isso precisava agravar a crise econ√īmica. Hoje estamos numa situa√ß√£o de desemprego como nunca vista antes do pa√≠s. E isso √© o que gera a situa√ß√£o das contas.

Caso o projeto da Reforma da Previdência seja aprovado da forma como foi enviado para o Congresso, o ex-ministro prevê o caos social:

- Se a reforma passar vamos ter um caos social porque vai aprofundar a desprote√ß√£o, a mis√©ria e vamos voltar √† condi√ß√£o de saques, √† instabilidade social e pol√≠tica do pa√≠s. Isso n√£o √© amea√ßa, mas uma realidade. Ao tirar qualquer possibilidade de se manterem vivos, que √© o que a previd√™ncia faz, 35 milh√Ķes de benef√≠cios pagos todo m√™s, em m√©dia de R$ 1400 por pessoa, ser√£o retirados da economia e √© essa renda que mant√©m muitos munic√≠pios funcionando. Se voc√™ tira isso √© um caos para a organiza√ß√£o pol√≠tica do pa√≠s, econ√īmica e para a sobreviv√™ncia das fam√≠lias",¬†contou.

O ex-ministro também afasta qualquer possibilidade de melhorar o texto da reforma através de emendas ao texto original. Gabas defende o debate com a sociedade, especialmente os segmentos mais afetados, a exemplo das mulheres e homens do campo.

- Ningu√©m no Brasil √© competente o suficiente para apresentar uma proposta porque a previd√™ncia √© uma pol√≠tica que alcan√ßa toda a sociedade. Qualquer proposta obrigatoriamente passa por discuss√£o. √Č claro que tenho ideias para discutir, mas quero debater com a mulher e o homem do campo, com os empres√°rios. Existe muitas contradi√ß√Ķes. O empres√°rio produtivo tem interesse, j√° o empres√°rio da especula√ß√£o n√£o tem interesse. E √© nessa contradi√ß√£o que est√° a sustentabilidade da previd√™ncia. Empres√°rios que empregam mais, pagam muito mais previd√™ncia que empres√°rios que aplicam em tecnologia e empregam menos pessoas. A maior tributa√ß√£o √© sobre folha de sal√°rio, essa √© uma distor√ß√£o que precisa ser combatida. E a√≠ vou ajudar o empres√°rio que emprega, que distribui renda, e n√£o o empres√°rio que n√£o faz nada, que √© o empres√°rio do √≥cio que fica s√≥ vivendo de rendimento e da especula√ß√£o do mercado financeiro",¬†destacou.

Ele também avalia que o projeto de reforma da Previdência dos governos Temer e Bolsonaro são uma disputa pelo orçamento da União, o papel do Estado.

- Essa proposta n√£o acaba s√≥ com o direito a aposentadoria, ela avan√ßa sobre os impostos e reduz a import√Ęncia do Estado.¬†Eu quero uma reforma que amplia e consolida a prote√ß√£o. O d√©ficit √© conjuntural, n√£o estrutural. Esse projeto foi feito para entregar o sistema p√ļblico brasileiro para os bancos. E entrega n√£o s√≥ o futuro, mas os fundos existentes hoje. √Č banqueiro usando seu poder para concentrar o dinheiro do povo

O evento aconteceu no Sindicato dos Auditores Fiscais do Rio Grande do Norte.

Com informa√ß√Ķes: Saiba Mai

Fotos: José Erivaldo e Saiba Mais